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Sábado, 25 de Novembro de 2006

Carta Aberta ao Pai Natal

Caro Pai Natal,

De hoje a um mês é Natal.
Partindo dessa premissa tomei a liberdade de lhe dirigir esta carta.
Como já deve ter reparado iniciei-a com “Caro pai Natal” e não com “Querido Pai Natal”, ou seja estou certo que esta carta começa de forma bem diferente dos outros milhões de cartas que deve começar a receber por esta altura.
Espero que esse seja sinal mais que suficiente para que perceba que o assunto é sério.
E não, não estou louco. Eu sei que já não lhe escrevia há muitos anos, mas é que andaram tanto tempo a dizer-me que não existia que acreditei.
Só que agora com o nascimento dos meus pequenitos você voltou em força.
Afinal, fui enganado durante muitos anos. Adiante…
O que lhe quero dizer de forma muito veemente é o seguinte: você desilude-me!
Desilude-me porque no fundo você é um bocado como o Emplastro.
Aparece assim sem ninguém saber como e de repente não deixa ver mais ninguém.
É evidente que eu estou a falar do menino que faz anos a 25 de Dezembro.
Diga-me lá: conhece algum miúdo que no seu aniversário tenha ajuda de alguém e esse alguém de repente se torne mais importante que o aniversariante, ficando este contente?
Eu não conheço nenhum. Aliás até conheço uns poucos que eram capazes de resolver o assunto à biqueirada e ao bofetão.
Mas não, o menino Jesus lá o vai aguentando ano após ano.
Estou a exagerar? Acha?
Olhe, este ano já enjoei anúncios de Natal na Tv. Sabe em quantos vi o aniversariante? Adivinhe lá… em nenhum, nicles, zeróide , népia, niente , 0.
Em quantos o vi a si? Resmas, paletes, sei lá…
No ano passado cheguei mesmo a exprimir a minha repulsa por um livro de Natal onde você aparecia 12 vezes e o Menino uma só.
É que no início eu até gostei de si: um velhote que distribuía presentes e tal.
Só que depois descobri que afinal a sua versão actual surgiu de uma gigantesca onda publicitária de uma marca de colas (bebidas), que até lhe mudou a cor do seu fato original.

É claro que nós pais também temos a nossa culpa nisto. E não é nada pequena, não senhor.
Levados nesta onda de consumismo, da falta de tempo e mais não sei quê aceitamos muito mais facilmente contar aos nossos filhos a versão do velhote que vem dar prendas só porque sim, do que contar a história do Menino que nasceu para nos salvar e dizer-lhes que o Natal celebra o seu aniversário.
Simplesmente porque a história desse Menino pode fazer com que os nossos pequenos nos perguntem por uma série de valores e atitudes que, se calhar, nós só nos lembramos que existem quando consultamos um dicionário (o que, como se sabe, hoje em dia é muitíssimo comum).
Eu por mim já decidi: você, quando muito, será um pequeno ajudante do Menino Jesus em cada Natal.
Sei que será uma batalha perdida à partida, mas não me importo.

Olhe já agora, quanto ao Menino, se o vir antes deste Natal diga-lhe duas coisas por mim: Obrigado e Parabéns.
Contado por Pai Babado às 11:06
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15 comentários:
De AnaD a 25 de Novembro de 2006 às 11:54
Gostei muito do texto, apesar de eu ter uma posição diferente da tua (aliás diferente da de toda a gente) acho que no fundo a essencia é a mesma, o Natal já não é o que era, e poucos são os miudos que sabem o que é o Natal, quer na sua vertente religiosa, quer mesmo na vertente familar.
De Pai Babado a 26 de Novembro de 2006 às 17:23
Ena...
conseguiste deixar-me curioso.
Qual é a tua posição face à coisa?
De kartomante a 25 de Novembro de 2006 às 12:03
ohh pai, tou contigo nessa carta, tens toda a razão...mas olha tou com um dilema: a minha cachopa k tem 9 anos tá com um problema, esta manhã apareceu-me a chorar porque não sabe o k pedir ao Pai Natal, eu até já fui dar uma volta com ela aos hiper-mercados mas nada, a miúda tá mesmo aflita pk não sabe o k pedir ao «velhote»...e tu dizes assim " a cachopa tem tudo, não lhe falta nada" , nada disso, ela até nem tem brinkedos a n ser uns ursitos k dorme com eles, será k ela tá numa crise existencial??? Dou comigo a pensar nisso...ou será k descobriu k não é nada materialista?? prefiro essa...mas o problema é k ela continua a acreditar nele, daí o dilema dela...n tem como dar k fazer ao pai natal...Não sei como ajuda-la neste problema tão grave...lol..Beijocas
De Pai Babado a 26 de Novembro de 2006 às 17:24
Olha... vou.me armar em esperto:
e que tal aproveitar essa onda dela para a fazer dar umas prendas a meninos menos favorecidos?
Assim já dava que fazer ao "Pai Natal" e até pode ser que a faça muito feliz.
Quem sabe?
De helena a 25 de Novembro de 2006 às 13:45
adorei o teu texto! Infelizmente acho que tens razão, as pessoas esqueceram o que é realmente importante.
De Pai Babado a 26 de Novembro de 2006 às 17:26
Ainda há esperança.
Enquanto existirem pessoas a achar graça a esta carta, há esperança.
De pipokka a 25 de Novembro de 2006 às 22:48
Ó pai, tens mta razão... a tradição já não é o que era e o menino Jesus, já não passa de uma figura de porcelana que o pessoal insiste em colocar no presépio apenas pk faz parte.

A carta está excelente, parabéns!

Jokas
De Pai Babado a 26 de Novembro de 2006 às 17:29
Pois é.... pô-lo no presépio é fácil.
Nos nossos corações é que nem por isso.
Enfim.... quem ler isto deve pensar que sou um fanático religioso.
Longe disso.
Tenho é um carinho especial por algumas memórias de Natal que uma avó me deixou.
De MJ a 26 de Novembro de 2006 às 14:09
Eu não acho que seja uma batalha perdida, acho é que vai demorar algum tempo a ser ganha. Mas com certeza quando chegar a vez dos seus filhos contarem aos filhos deles a importância desta època, saberão a verdadeira importância do Natal.
Adorei a carta.
De Pai Babado a 26 de Novembro de 2006 às 17:30
Eu hoje agradeço à minha mãe e à minha avó nunca terem desistido da luta ;-)
De Anónimo a 27 de Novembro de 2006 às 12:22
Adorei a carta!
Espero k o velhote de barbas brancas n se desiluda, mas tenho a certeza k o menino Jesus vai adorar!

pintainha.blogspot.com
De Guida a 29 de Novembro de 2006 às 09:52
Sou a Margarida que coloca no espaço os textos do seu tio em "numa outra vida" que, vejo, costumas ler. Além de Margarida e sobrinha, sou também uma avó que não perdeu a criancita dentro de si.
Estes teus pensamentos deram-me a ideia para o próximo texto que tenho de escrever para o Balaio de Notícias. Vou contar como era o meu Natal dos anos 50 do século passado. :-) Já ninguém imagina...
Entretanto, se quiseres adoptar mais esta avó, encontras-me a mim, aos meus filhos e netas, aos meus amigos que querem entrar na minha casa de porta só encostada, em http :/ portaencostada.blogspot.com /
Obrigada por me trazeres estas lembranças de que me apetece falar...:-)
Guida
De Pai Babado a 29 de Novembro de 2006 às 11:41
Olá.
Não quero parecer indelicado, mas deve-me ter confundido, pois não conhecia o seu blog.
De qq maneira fico contente por esta carta lhe ter trazido vontade de recordar o Natal do passado que, estou certo, devia ter um encanto mesmo, mesmo especial e não ser apenas mais um dia em que, por acaso se recebem prendas.
Beijo.
De cristina a 29 de Novembro de 2006 às 10:41
Descobri o blog há pouco tempo.
Achei a carta ao Pai Natal deliciosa.
Tenho uma filha de 23 meses e a tentar explicar-lhe o que é o Natal, há sempre uma personagem que não encaixa - o Pai Natal. Uma importação nórdica com vocação comercial. No fundo, veio substituir os reis magos.

Cumprimentos

Cristina
De Carla Marina a 10 de Dezembro de 2006 às 22:11
Pois é, concordo 100 %. O meu filhote de 14 meses já diz Pai Natal (Tátá) mas o menino que está na cabaninha que o tio lhe deu, nem pensar...
será que alguma vez vai voltar o verdadeiro sentido do Natal sem compensações económicas?

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